Hoje ouvi alguns jovens como eu, talvez um pouco mais jovens, discutindo sobre Deus. Falavam different2despreocupadamente, sem que houvesse um “peso” sobre a cabeça deles. Não tinha nada a ver com irreverência. Era apenas honestidade. E honestidade é uma característica que Deus procura.

Mas a frase de uma garota entre eles me chamou atenção. Eles conversavam sobre céu, inferno, purgatório, quem vai pro céu, quem fica na terra, onde seria o purgatório e quem merecia ir pro inferno. Não chegaram a um consenso, mas a frase da garota parecia resumir toda a discussão:

- Ou seja, quem é diferente vai pro inferno!

Deus ama os esquisitos? Essa foi a frase que me veio à cabeça quando ela disse isso. Mas é claro! Pode não parecer, não porque Deus o tenha dito ou Jesus tenha ensinado assim, mas Deus ama a todos da mesma forma. Hoje isso é muito mais dito do que vivido.

Homossexuais, loucos, depressivos, tímidos. Parece que essas pessoas – que a ciência e a psicologia ainda não descobriram porque são assim, como no caso dos homossexuais – por serem diferentes por si só, seriam rejeitadas pelo céu. E iriam para o inferno.

Parece injusto? Depende do ponto de vista, mas na minha opinião parece. Desde que não seja uma escolha, parece sim injusto que um deficiente mental vá para o inferno simplesmente porque ele não escolheu Jesus. Como escolheria? Não está provado que ele não sustenta suas capacidades mentais?

Como sempre, não ofereço respostas, apenas questões. Porque são as questões, não as respostas que fazem um pensador. Se as respostas já viessem com as perguntas, que graça teria pensar?

Algumas pessoas que se dizem cristãs, oferecem uma visão totalmente distorcida do seu próprio Deus. Chegam a disfarçar seu próprio preconceito em Jesus. Já vi líderes rejeitando suas ovelhas porque elas não se encaixavam no seu próprio conceito de perfeição.

Se Deus nos fez diferentes, é porque existe um propósito. Mas se nós não conseguimos tolerar essas diferenças, o erro está em nós. Deus ama os esquisitos, nós não. O céu é o lugar dos diferentes, tanto quanto dos comuns. O céu não rejeita, ele acolhe. As pessoas se rejeitam, se matam, se destróem.

Se você é diferente, não tenha medo. Deus espera por você no céu, talvez de tênis desamarrados dançando uma dança antiga e tocando um instrumento que só ele conhece. Porque Deus é amor, e o amor é diferente!

Ontem eu estava pensando em pensar. E vi quanto penam os pensadores.The_Thinker Auguste RodinSentados ou de pé, penam por pensar. Eu os considero como águias num galinheiro. Tomo emprestado uma análise feita por Joyce Meyer.

Pensadores – você pode ser um pensador também, não tem segredos! – são como aves que sabem que não fazem parte daquele ambiente. Olham para os lados, vêem as pessoas olhando pra baixo, somente pra baixo, contentando-se com um mínimo espaço e comida rala. Eles sonham em voar mais alto, e olham pra cima, sempre almejando um espaço infinito e comida igualmente infinita.

Mas pensadores enfrentam um desafio – como num galinheiro. O dono das galinhas, que criou a águia para ser igual a uma delas, insiste em cortar as asas da águia, evitando que ela alcance os céus. Assim os pensadores, aqueles que não se conformam com a visão mirrada que lhe ofereceram, querem voar, mas são cortados por pessoas que se acham seus donos! Mas quem pode ser dono de uma águia?

Assim, pensadores são como águias que um dia, por um descuido de seus “donos” e por suas próprias forças, consegue pular os baixos muros dos galinheiros e singrar os ares de uma forma majestosamente bela, como ninguém jamais viu! E aqueles que um dia pensaram conter os pensamentos dos pensadores, verão o quão enganados estavam.
Você pode prender o homem, mas não há cela que prenda suas idéias.

Quando escrevi “Deus? Cadê Você?world-in-hands“, pensei um pouco sobre onde Deus estava. Não respondi essa pergunta, mas me ative ao que Deus fazia quando eu estava sofrendo. Mas a pergunta que ficou comigo é: “se eu não acredito em Deus porque não o vejo, onde posso encontrá-Lo?”.

Bem, não é fácil responder essa pergunta, como já me disse uma amiga. Mas como eu faria pra fazê-los acreditar? Não existe um meio. Eu não posso provar que Deus existe, assim como ninguém pode me provar que Ele não existe. Não existem meios físicos para comprovar a não-existência de Deus. Mas os cientistas estão prestes a provar que Alguma Coisa Muito Inteligente rege o Universo. Pois uma coisa que está destinada ao caos, tende a ser destruída.

Bem, não quero me ater a conjecturações científicas. Quero apenas mostrar como eu posso encontrar Deus.

Certo dia, eu escrevi um texto – que futuramente possa virar um livro – em que um jovem discutia com um pastor a existência de céu, inferno e Deus. O jovem lança a pergunta: “Como posso acreditar em Deus sem nunca tê-lo visto?”, ao que o pastor responde, com convicção: “Eu acredito no ar, mesmo sem nunca tê-lo visto. Porque, se um dia, o ar acabar, eu morro. Eu me conforto em saber que o ar existe”.

Embora existam meios científicos para comprovar a existência do ar, e não possam comprovar a existência de Deus, tomemos o conceito poético disso tudo. Eu, como cristão, acredito em Deus da mesma forma que acredito no ar: porque, sem Ele, eu não vivo.

Sem respirar Deus, não há um meio de vida pra mim. Eu sou como alguém que, mesmo sem se lembrar que respira ar todas as horas, todos os segundos, continua respirando. No dia em que ele nota que está respirando e resolve prender a respiração, não pode passar mais do que minutos sem ele. Não posso passar muito tempo longe de Deus.

Você pode estar dizendo: “Seus argumentos não passam de ilustrações poéticas! Eu não posso aceitar isso e começar a acreditar em Deus”. Eu sei. Não há como acreditar em Deus com base científica, poética ou religiosa. É preciso abrir uma porta.

Como já disse C. S. Lewis: “Eu acredito no cristianismo como eu acredito no sol, não por aquilo que ele é, mas que através dele eu posso ver tudo ao meu redor”. Não há como ver o sol a olhos nus por muito tempo. É preciso de algo entre seus olhos e o sol. Entre Deus e nós é preciso de “fé”. A fé são os nossos olhos preparados pra enxergar Deus.

Então, respondendo à pergunta: “Onde encontrar Deus?”

Deus está em todos os lugares. Deus está aqui, está no sol, está na chuva, está na lua. Não que Deus mesmo seja a lua, o sol ou a chuva. Mas Ele está nessas obras assim como Caravaggio está em “A Conversão de Saulo”, ou DaVinci está na “Monalisa”. A Criação, como obra de Deus, é uma assinatura do Criador. Deus pode ser visto em todas elas.

O que escrevi pode não convencer ningúém. Bem, não é este o meu objetivo. Meu objetivo é fazê-lo pensar, refletir. Pense, reflita. Quem sabe você não acaba percebendo que está respirando de uma maneira diferente?

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Havia um certo senhor que comia todos os dias no mesmo restaurante. Todos os dias, passava pelas mesmas ruas, olhava para a mesma loja de relógios, mas nunca comprava nada. Um dia, após passar pela rua estreita e sem casas que sempre costumava passar, viu alguns homens colocando uma cabine telefônica. – O que estão fazendo?

- Não está vendo? Estamos colocando uma cabine telefônica aqui.

- Cabine telefônica? Para quê esta rua precisa de uma cabine telefônica?

- Meu senhor, por favor não nos incomode. Estamos apenas fazendo nosso trabalho.

- “Estamos apenas fazendo nosso trabalho”- ele repetiu em tom irônico. – Pois então parem. Esta rua não precisa de uma cabine telefônica. Vê, não passa ninguém.

- Isso não é problema nosso. Nos mandaram colocar essa cabine aqui e aqui estamos.

- Pronto! – gritou um dos homens lá do fundo, o que estava instalando os fios. – Terminamos.

- Viu, senhor? Com ou sem o senhor atrapalhando, terminamos o serviço!

- Vocês são mesmo uns idiotas! – o senhor estava realmente furioso.

E foi embora. Porém, tinha esquecido seus óculos em casa, e sem eles, não podia ler o jornal, que sempre lia depois do almoço. Quando voltou do restaurante e ia para casa, passou pela mesma rua, e viu alguns jovens parados perto do telefone.

- É só pra isso que servem essas cabines – resmungou. Quando ia passando pela cabine, sentiu um puxão em sua bolsa.

- Ei, o que é isso?

- Passa o dinheiro, vovô!

- Vocês não podem fazer isso comigo!

- Deixa de conversa fiada e passa logo isso!

Relutante, mas intimidado pela gangue, o senhor entregou tudo o que tinha aos assaltantes. Quando eles saíram, ele foi ao telefone. Ligou para a polícia, que por sorte, tinha um carro parado há duas quadras dali. Bastou o telefonema e prenderam os bandidos. Quando a polícia chegou com os bandidos, disse ao senhor:

- Que sorte, hein, senhor? Ter uma cabine telefônica num beco como este…

- Sorte nada. Se não fosse por ela, eu nunca teria perdido meu horário de almoço.

Às vezes, não estamos satisfeitos com o que Deus nos dá. Sempre é pouco, ou sempre é demais. Nunca é justo e poucas vezes é suficiente. Somos como o velho senhor, que, mesmo depois de ter seus bens salvos por causa da cabine telefônica, enxerga os menores problemas para lhe dar um defeito.

Esse conto foi escrito para ilustrar a situação de um homem que não pode se perdoar. Estão escritas duas cartas: uma do homem, chamado Jesus, e outra da mulher, Lisa. O que acontece quando a Graça estrapola os limites do nosso entendimento?

Perdoe-me por que acho que matei um homem. Eu queria escrever uma carta para você, Lisa, afinal, você é minha esposa. Nunca encontrei uma mulher parecida com você: atraente, gentil, compreensiva… Sei que posso contar com você para o que der e vier. Tudo menos isso. Eu não sei se realmente o matei. Mas fui covarde demais para checar se estava realmente morto. Por isso, peço que me perdoe. Porque também não tive coragem o suficiente para incomodar você com isso. Por isso, Lisa, quero que você me perdoe por não estar aí quando a polícia chegar e quiser me prender. Nem sei se eles vão chegar realmente, mas é melhor esperar pelo pior.
Uma noite, quando saí do bar após um dia de trabalho como todos os outros, uns amigos vieram até mim e pediram que os acompanhasse até a casa de um deles, onde havia uma confraternização. Não quis ir.
– Deixa pra próxima – Os amigos entenderam.
Ao chegar em casa, vi você com algumas amigas no portão de casa, jogando conversa fora. Passei o braço pela sua cintura, saudei as mulheres que estavam perto do portão, e dei um beijo no seu rosto. Nunca mais vou esquecer. Foi o último dia em que vi você.
– A janta está no fogão, Jesus. Eu vou esquentar – você me disse.
Quando entramos, ouvimos um barulho no sótão. Um barulho esquisito, como algo que tivesse caído. Olhei pra cima, o barulho parou. Não achei nada demais. Havia um buraco de mais ou menos meio metro no teto do sótão, que eu havia prometido a mim mesmo que iria consertar, e os gatos freqüentemente faziam a festa lá.
– Tenho que consertar aquele buraco, Lisa.
Você sorriu.
¬– Você sempre diz isso, Jesus. Gostaria que fosse verdade dessa vez.
– Vai ser, Lisa. Acredite. Sábado mesmo eu vou pegar um martelo, algumas tábuas e vou consertar aquele buraco. Gato nenhum vai fazer festa no meu sótão.
Você sorriu novamente, mas dessa vez, não falou mais nada.
Gostaria que tivesse falado. Pelo menos, teria mais lembranças da sua voz na minha cabeça.
Naquela noite, depois que fomos dormir, eu ouvi outro barulho no sótão. Você não acordou. O que eu fiz foi simplesmente pegar um pedaço de madeira pra espantar seja lá quantos gatos estivessem no sótão. Eu não tinha idéia que não iria encontrar gatos lá.
Quando cheguei no sótão, vi um homem com um saco cinza nas costas, cheio com o que parecia ser as bandejas de prata que nós tínhamos ganhado de presente de casamento. Não consegui ver o rosto dele, porque estava encoberto na sombra. O buraco do teto tinha triplicado de tamanho. O barulho que tínhamos ouvido era o barulho das tábuas. E o barulho que eu ouvi foi a tentativa de fuga.
Assim que me viu, ele tentou jogar o saco na minha direção, mas eu me desviei. Nem me lembrei que estava com um pedaço de madeira de meio metro na mão. Deus, como eu não queria lembrar daquele pedaço de madeira!
De repente, ele veio em minha direção. Não sabia o que fazer, só que devia me defender. Peguei a madeira que eu tinha e atirei contra ele. Quando ele caiu com uma das mãos nos olhos, sabia que o tinha acertado. Eu falei pra ele ficar parado. Foi quando você acordou, e provavelmente tenha me procurado na casa, antes de chegar ao sótão. Quando ele ouviu você, se jogou novamente sobre mim, e eu me vi obrigado a bater nele ainda mais. Com uma fúria que eu desconhecia, eu comecei a bater mais nele, até que eu me cansei de bater. Tarde demais. Ele já estava todo ensangüentado, com o rosto completamente desfigurado, e eu sabia que eu era o responsável pela aparência dele. Mas infelizmente – infelizmente! – eu consegui ver quem era por trás de todas as feridas.
¬– Meu Deus, o que foi que eu fiz?
Mas eu sabia o que tinha feito.
Fugi direto para cá. Usei o teto para fugir, antes que você chegasse ao sótão. Não queria que você me visse, por isso, eu tranquei a porta do sótão e saí pelo teto. Provavelmente, minha viagem não tem volta.
Eu estou num lugar onde você ou qualquer outra pessoa não podem nem pensar em me procurar. Eu tinha visto numa foto, em algum lugar da estante de um vizinho meu. Aquele vizinho que ajudou o seu pai quando ele tentou roubar a TV da sua casa pra sustentar o vicio do álcool. Isso quando eu tinha dezessete anos. Eu nem sei como consegui me lembrar daqui.
Me perdoe, meu amor. Sei que não foi realmente a melhor atitude. Nossos pais sempre nos ensinam a enfrentar os nossos erros. Mas eu não podia conviver com isso por muito tempo.
Como eu disse, eu não sei se o matei. Mas mesmo que eu não o tenha matado, não poderia suportar o que fiz com o rosto dele. Creio que nem mesmo as cirurgias mais avançadas podem reconstruir o rosto dele. Realmente, para ele e para mim, é melhor que eu o tenha matado.
Não tenho nada mais a falar. Apenas peço que me perdoe. Porque acho que matei um homem, mas não apenas isso. Perdoe-me, porque o homem que eu acho que matei, o principal motivo da minha fuga, não era um desconhecido. Perdoe-me, porque esse homem, meu amor, era seu pai.

Essa é a resposta de Lisa, mulher de Jesus.

Meu querido marido.
Com muito custo, consegui eu mesma abrir a porta do sótão. Você já tinha ido embora. O mesmo homem que você descreveu, estava no chão, ensangüentado; não estava respirando mais.
Recebi sua carta dois dias depois. Fiquei muito tempo com ela fechada, antes de decidir se eu a leria ou não.
Jesus, estou escrevendo essa carta como resposta. Encontrei a tal foto que você disse e perguntei a uns amigos meu que moram aí se eles sabiam onde você estava. Bem, encontrei você. E o homem que você acha que matou é sim, meu pai.
Ele havia morrido, como você tinha pensado. Teve um colapso do coração, acredita? Não foi realmente você que o matou. Foi a bebida. No fundo, eu sabia.
Semana passada, um dia antes de você partir, eu tinha falado com minha mãe. Ele havia saído de casa – estava roubando tudo. Estava morando na rua agora, mas ainda continuava bebendo. Deus sabe o quanto nós pedimos para que ele parasse.
Oferecemos ajuda de diversas maneiras, e você é testemunha disso. Lembra quando ele me bateu na frente de todos os nossos amigos? Bom, eu lembro.
Mas apesar disso, sempre o amei. E muito. Ele foi o homem que me ensinou a ler, ensinou o significado do amor não fingido. Não havia hipocrisia com papai.
Eu sei que está se sentindo culpado pelo que fez, afinal, era meu pai. Mas não quero que se sinta pior do que já está. Jesus, quero que leia com atenção: VOLTE PRA CASA.
A polícia entendeu que foi em legítima defesa e você vai responder o processo em liberdade. Não precisa mais se esconder, está bem?
Tudo o que você me disse eu pensei muito antes de tomar essa decisão. Me lembrei dos nossos votos de casamento: “na alegria e na tristeza”.
Não se torture mais. Por favor, eu preciso de você.
Eu te perdôo. E se você não quiser mais voltar pra cá, por qualquer motivo, volto com você pro México. Eu amo você.
Por favor, tudo o que eu quero é que você entenda que o que você fez não muda o que sinto por você. Você errou, sim, mas sei que não fez porque quis.
Ao ler essa carta, só quero que se lembre de mim. E, se você quiser, seu lugar está guardado. Só não me deixe esperando mais.
Jesus, volte pra mim.
Com amor, Lisa.

A graça é algo que não fazemos nada pra receber. Nem sequer a merecemos, mas Deus nos dá gratuitamente. Lisa, a mulher de Jesus, nosso personagem tinha todos os motivos para odiar o marido. Mas antes disso, resolveu perdoá-lo por não conseguir viver longe dele.

Da mesma forma, Deus nos perdoou por todos os nossos erros porque simplesmente, não conseguia viver sem nós. Como um Deus apaixonado, Deus nos perdoou por tudo, sem pedir nada em troca, simplesmente esperando que voltemos pra o lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Nenhuma quantidade de culpa é suficiente para ocultar Deus de você. Nenhuma quantidade de justiça própria é suficiente para suborná-lo. Ele nos ama porque é infinito em perdoar.

Oh, Deus
Sinto que não sou o que Você queria que eu fosse
Nem ao menos o que EU queria que eu fosse
Mas tenho sido fraco, medroso
E hoje estou acabado

Tenho prometido muitas coisas
Tenho dito que quero devotar a minha vida
E viver pra tua honra
E hoje nem sei mais onde pus minha devoção

Mas de todas as coisas que eu prometi
De tudo que eu já Te falei
A maior verdade é que eu Te amo
Apesar dos meus erros – com todos os meus erros
Apesar dos meus defeitos – e com todos eles
Ainda assim Te amo

Depois de tudo o que eu fiz
Depois de tudo o que eu vi
Depois de tudo o que falei
Ainda assim Você me ama

Depois de tudo o que tive
Depois de tudo o que eu ouvi
Depois de tudo o que eu sempre volto a fazer
Mesmo assim Te amo
E mesmo assim Você me ama

Eu não sou nada pra que Você se lembre de mim
Nem tenho pretenção alguma de ser
Porque apesar do nada que sou
É esse “nada” que Você ama

Mas se Voce puder me salvar de mim
- e eu sei que pode -
Talvez eu consiga me ver
Talvez eu consiga mudar
Talvez eu ainda consiga viver

Não posso continuar assim
Não posso seguir sem o Teu perdão
Com toda essa culpa que está sobre mim
Com todo esse desespero no meu coração
E esse peso que sempre sai, mas não quer sair
Essa dor passageira que não quer passar
Essa vida que “continua”, mas não quer seguir
Esse sonho que eu sonho, mas não quer sonhar

Depois de tudo o que eu fiz
Depois de tudo o que eu vi
Depois de tudo o que eu falei
Ainda assim Você me ama
Ainda assim eu continuo a Te amar

A maior das verdades que já ouvi
É que Você não é um Deus que sofreu por amor
Mas um Deus que amou tanto que teve que sofrer
Um Deus que ama assim
Apesar de tudo o que eu fiz
Apesar de tudo o que passou
Só a Ele eu poderia devotar meu amor

E mesmo sabendo de tudo o que eu farei
Sabendo de tudo o que eu verei
Sabendo de tudo o que vou falar
Ainda assim Você me ama
Ainda assim, eu continuo a Te amar

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Era uma vez (puxa, como eu gosto desses começos clássicos) uma pequena cidadezinha invisível no meio do nada. Ali moravam várias pessoas, todas invisíveis, que gostavam de comer tortas de vento sem recheio.

Um dia, um homem azul veio até a cidade numa estranha bicicleta verde, com dois baldes de tinta – um amarelo e um vermelho – e todos ficaram espantado com o quanto ele era estranho. Afinal, todos na cidade jamais tinham visto ninguém azul – na verdade, não tinham visto ninguém de nenhuma cor.

Na mesma hora, tentaram dar um sumiço nele. Amarraram suas mãos azuis com belas cordas transparentes e também seus pés. O mataram ali mesmo, na colina do Nada, bem no centro do vazio. Nunca mais se ouviu falar do homem azul. Seu sangue turqueza escorreu pelo chão sem cor.

Mas os seres invisíveis não sabiam o que fazer com a bicicleta verde.
Reuniram o conselho e tentaram chegar a um acordo. Nada parecia fazer sentido, e ninguém entendeu muito bem o que cada um estava tentando fazer.

Por fim, decidiram pendurá-la no alto da colina, acima da cidade. Não tiraram os baldes, com medo do que aconteceria.
Um dia, quando começou a chover, todos correram para dentro de casa. Os baldes de tinta transbordaram com a água, e começaram a ser derramados sobre a colina, tal como o sangue do homem no dia em que morreu.

Espantados, todos saíram de suas casas e ficaram olhando o que acontecera. A tinta começou a tocar em todas as pessoas, pintando-as em tons de vermelho e amarelo. Então, de repente, todos puderam se ver.

Finalmente, pais e filhos viram a si mesmos e aos outros, maridos viram pela primeira vez o rosto de suas mulheres. O legado do homem azul tinha permanecido.

E todos viveram coloridos para sempre.

Sempre tememos o que é diferente. Matamos o que não concordamos. Nos adaptamos com os que são parecidos conosco, e deixamos que os homens azuis – visto serem muito diferentes de nós – morram na colina vazia.

Só vivemos uma vez. Nessa vida, podemos ser passageiros, mas nossas ações têm ecos eternos. O que você faz dura a eternidade. Suas ações definem o que você é pras pessoas. O homem azul morreu, mas depois da sua morte, mostrou às pessoas invisíveis como era bom ser diferente. Como era belo o mundo colorido. Atrevo-me a dizer que aquelas pessoas jamais foram as mesmas e a cidade invisível foi pintada com tonalidades de vermelho e amarelo, mas havia uma mancha azul no chão da colina que sempre os fazia lembrar do erro que cometeram.

O homem azul morreu, mas inspirou as pessoas a mudarem. Como essa história tem molde de historinha infantil, lá vai a moral da história:

“Você pode matar um homem, mas seu legado jamais pode ser destruído”.